António Chapeleiro e os cães serranos da montanha

No dia 25 de julho de 1955, o Diário de Lisboa noticiava a realização do 12.º Concurso de Cães da Serra da Estrela, organizado pela Comissão de Turismo da Covilhã no Jardim Municipal da cidade.

O evento reuniu cerca de 150 exemplares da emblemática raça serrana, num tempo em que o cão da Serra da Estrela era ainda profundamente ligado à vida pastoril e às comunidades montanhosas da região.

Diário de Lisboa, Ano 35, número 11723
Segunda, 25 de Julho de 1955

Entre os premiados encontrava-se um homem da Aldeia do Carvalho:

“Prémio de Cachorro, ao sr. António Chapeleiro, da Aldeia do Carvalho, uma taça e 250$00.”

A pequena referência jornalística constitui mais um testemunho da forte ligação da antiga freguesia serrana ao pastoreio, aos rebanhos e aos cães de guarda da montanha.

O cão da Serra e os pastores serranos

Pastor, cão e rebanho na Serra da Estrela — fotografia histórica desconhecida

Durante séculos, os cães da Serra da Estrela acompanharam:

  • pastores,
  • rebanhos de ovelhas e cabras,
  • transumâncias,
  • currais,
  • e os caminhos agrestes da montanha.

A sua principal função era proteger os animais dos ataques de lobos e guardar os rebanhos durante as longas permanências nos planaltos serranos.

Na região da Aldeia do Carvalho e restantes territórios envolventes da Serra da Estrela, estes cães faziam parte integrante do quotidiano rural.

O concurso promovido na Covilhã refletia precisamente a valorização crescente desta raça tradicional portuguesa, considerada já então um símbolo da serra e das suas populações pastoris.

Um prémio vindo da Aldeia do Carvalho

O prémio atribuído a António Chapeleiro demonstra igualmente a presença ativa de criadores e pastores da Aldeia do Carvalho nestes certames regionais ligados à pecuária serrana.

Numa época em que a vida das aldeias ainda estava profundamente ligada:

  • aos rebanhos,
  • à lã,
  • aos cães de guarda,
  • e aos caminhos da montanha,

os concursos de cães da Serra assumiam também um importante significado social e identitário.

Hoje, esta breve notícia de jornal constitui um pequeno retrato da cultura pastoril da Serra da Estrela e da então Aldeia do Carvalho, em meados do século XX.