Terras, foros e propriedades da antiga Aldeia do Carvalho no século XVII

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Entre setembro e novembro de 1678 foi realizado um importante levantamento das propriedades, direitos, foros e bens pertencentes à Comenda de São João do Hospital da Ordem de Malta, na vila da Covilhã e nos lugares anexos de Boidobra e Aldeia do Carvalho.
Este documento, conhecido como:
“Tombo da fazenda, propriedades, direitos e foros da Comenda de São João do Hospital da Ordem de Malta”
constitui hoje uma fonte histórica de enorme importância para compreender:
- a organização do território,
- a posse da terra,
- os direitos senhoriais,
- e a paisagem rural da antiga Aldeia do Carvalho durante o século XVII.
A Ordem de Malta na Covilhã

(Cruz Oitavada da Ordem de Malta no tímpano e na empena da fontaria)
A Comenda de São João de Malta da Covilhã integrava a antiga Ordem Hospitalária de São João de Jerusalém, mais tarde conhecida como Ordem de Malta.
Estas ordens militares e religiosas possuíam:
- herdades,
- vinhas,
- lameiros,
- casas,
- direitos de foro,
- rendas,
- e propriedades agrícolas,
administradas através das chamadas comendas.
Em 1678, a comenda era administrada por:
- Frei André Pinto, comendador,
- e pelo juiz de fora da Covilhã, o doutor Pero da Cunha.
O alvará régio de 1678
O tombo inicia-se com a transcrição do alvará régio de 12 de março de 1678, que ordenava:
“a medição e demarcação de todas as propriedades daquela comenda”
O documento inclui:
- termos de nomeação,
- juramentos dos oficiais,
- medições,
- confrontações,
- descrições das propriedades,
- e identificação dos foreiros e moradores.
Este tipo de levantamento tinha como objetivo:
- confirmar direitos,
- evitar usurpações,
- controlar rendimentos,
- e assegurar a cobrança de foros e pensões.

https://purl.sgmf.gov.pt/787748/1/787748_master/787748_PDF/787748_6.pdf
Aldeia do Carvalho no século XVII
A referência direta à Aldeia do Carvalho demonstra que o lugar integrava já então os circuitos administrativos e patrimoniais da Covilhã.
O documento permite perceber:
- a existência de propriedades agrícolas organizadas,
- a ligação da população serrana aos regimes de foro,
- e a importância económica dos terrenos rurais e pastoris.
Num território profundamente marcado:
- pela agricultura de montanha,
- pelo pastoreio,
- pelos caminhos serranos,
- e pelas economias rurais tradicionais,
o controlo da terra assumia enorme importância.
Um documento raro da história local
Os tombos constituem hoje fontes essenciais para:
- a história local,
- a genealogia,
- a toponímia,
- o estudo da paisagem antiga,
- e a reconstituição das comunidades rurais.
Para a antiga Aldeia do Carvalho, este documento de 1678 representa um dos testemunhos escritos mais antigos conhecidos sobre:
- propriedades,
- organização territorial,
- e relações económicas da freguesia.
Mais de três séculos depois, continua a permitir redescobrir fragmentos esquecidos da memória serrana.
Tombo dos bens da Comenda de São João de Malta, da Covilhã
1678-09-05 / 1678-11-25
Fundo DGCI — Direcção-Geral dos Impostos
Entidade Produtora
Comenda de São João de Malta, da Covilhã
Assunto
Tombo da fazenda, propriedades, direitos e foros da Comenda de São João do Hospital da Ordem de Malta, da vila da Covilhã e suas anexas, de que foi comendador, em 1678, frei André Pinto e juiz de fora da vila da Covilhã, o doutor Pero da Cunha. Inicia com a transcrição do alvará régio de 12 de Março de 1678 que determinou a medição e demarcação de todas as propriedades daquela comenda; termo de nomeação e juramento dos oficiais e louvados. No final, apresentam-se as contas com a elaboração deste tombo e um index remissivo dos seus conteúdos (remetendo quer para o presente tombo, designado “tombo novo”, quer para o “tombo velho”), no qual os bens e emprazamentos, identificados estes com os nomes dos rendeiros, se encontram organizados por localidade (Freixial, Telhado e Quinteiros; Erada; Tortosendo; Covilhã; Teixoso e Aldeia do Carvalho; Orjais; Aldeia do Mato; Sameiro; Verdelhos; Escarigo; Capinha; Peraboa). A seguir a esse index, apontam-se títulos diversos (descrevendo benfeitorias realizadas pelo comendador, obrigações do mesmo para com diversas igrejas e ornamentos religiosos existentes em igreja em Escarigo) e advertências aos comendadores a propósito da realização dos tombos. Seguem-se outros índices, um primeiro onde se assinalam as quantias pagas de dízimos, foros e rações pelos rendeiros nos vários ramos da comenda, com várias observações; outro respeitante aos foros que se acrescentaram em Escarigos no ano de 1708; e um último “dos prazos novos e das pessoas que pagam o foro e lugares em que moram”. O livro encerra com traslados de uma escritura de doação, de uma sentença cível contra os moradores de Escarigo e de uma escritura de compra e venda.

