O Tombo das propriedades da Comenda de São João de Malta na Covilhã e Aldeia do Carvalho (1678)

Terras, foros e propriedades da antiga Aldeia do Carvalho no século XVII

Uma ilustração do século XV do Grão-Mestre dos Hospitalários, Pierre d’Aubusson (1423–1503), e dos principais cavaleiros da Ordem. Envergam a distintiva cruz branca da Ordem.
© Bibliothèque nationale de France

Entre setembro e novembro de 1678 foi realizado um importante levantamento das propriedades, direitos, foros e bens pertencentes à Comenda de São João do Hospital da Ordem de Malta, na vila da Covilhã e nos lugares anexos de Boidobra e Aldeia do Carvalho.

Este documento, conhecido como:

“Tombo da fazenda, propriedades, direitos e foros da Comenda de São João do Hospital da Ordem de Malta”

constitui hoje uma fonte histórica de enorme importância para compreender:

  • a organização do território,
  • a posse da terra,
  • os direitos senhoriais,
  • e a paisagem rural da antiga Aldeia do Carvalho durante o século XVII.

A Ordem de Malta na Covilhã

Capela de São João de Malta, freguesia de São pedro, concelho da Covilhã
(Cruz Oitavada da Ordem de Malta no tímpano e na empena da fontaria)

A Comenda de São João de Malta da Covilhã integrava a antiga Ordem Hospitalária de São João de Jerusalém, mais tarde conhecida como Ordem de Malta.

Estas ordens militares e religiosas possuíam:

  • herdades,
  • vinhas,
  • lameiros,
  • casas,
  • direitos de foro,
  • rendas,
  • e propriedades agrícolas,

administradas através das chamadas comendas.

Em 1678, a comenda era administrada por:

  • Frei André Pinto, comendador,
  • e pelo juiz de fora da Covilhã, o doutor Pero da Cunha.

O alvará régio de 1678

O tombo inicia-se com a transcrição do alvará régio de 12 de março de 1678, que ordenava:

“a medição e demarcação de todas as propriedades daquela comenda”

O documento inclui:

  • termos de nomeação,
  • juramentos dos oficiais,
  • medições,
  • confrontações,
  • descrições das propriedades,
  • e identificação dos foreiros e moradores.

Este tipo de levantamento tinha como objetivo:

  • confirmar direitos,
  • evitar usurpações,
  • controlar rendimentos,
  • e assegurar a cobrança de foros e pensões.
Tombo das propriedades na vila da Covilhã e nos lugares de Boidobra e de Aldeia Carvalho

https://purl.sgmf.gov.pt/787748/1/787748_master/787748_PDF/787748_6.pdf

Aldeia do Carvalho no século XVII

A referência direta à Aldeia do Carvalho demonstra que o lugar integrava já então os circuitos administrativos e patrimoniais da Covilhã.

O documento permite perceber:

  • a existência de propriedades agrícolas organizadas,
  • a ligação da população serrana aos regimes de foro,
  • e a importância económica dos terrenos rurais e pastoris.

Num território profundamente marcado:

  • pela agricultura de montanha,
  • pelo pastoreio,
  • pelos caminhos serranos,
  • e pelas economias rurais tradicionais,

o controlo da terra assumia enorme importância.

Um documento raro da história local

Os tombos constituem hoje fontes essenciais para:

  • a história local,
  • a genealogia,
  • a toponímia,
  • o estudo da paisagem antiga,
  • e a reconstituição das comunidades rurais.

Para a antiga Aldeia do Carvalho, este documento de 1678 representa um dos testemunhos escritos mais antigos conhecidos sobre:

  • propriedades,
  • organização territorial,
  • e relações económicas da freguesia.

Mais de três séculos depois, continua a permitir redescobrir fragmentos esquecidos da memória serrana.


Tombo dos bens da Comenda de São João de Malta, da Covilhã
1678-09-05 / 1678-11-25
Fundo DGCI — Direcção-Geral dos Impostos

Entidade Produtora
Comenda de São João de Malta, da Covilhã

Assunto
Tombo da fazenda, propriedades, direitos e foros da Comenda de São João do Hospital da Ordem de Malta, da vila da Covilhã e suas anexas, de que foi comendador, em 1678, frei André Pinto e juiz de fora da vila da Covilhã, o doutor Pero da Cunha. Inicia com a transcrição do alvará régio de 12 de Março de 1678 que determinou a medição e demarcação de todas as propriedades daquela comenda; termo de nomeação e juramento dos oficiais e louvados. No final, apresentam-se as contas com a elaboração deste tombo e um index remissivo dos seus conteúdos (remetendo quer para o presente tombo, designado “tombo novo”, quer para o “tombo velho”), no qual os bens e emprazamentos, identificados estes com os nomes dos rendeiros, se encontram organizados por localidade (Freixial, Telhado e Quinteiros; Erada; Tortosendo; Covilhã; Teixoso e Aldeia do Carvalho; Orjais; Aldeia do Mato; Sameiro; Verdelhos; Escarigo; Capinha; Peraboa). A seguir a esse index, apontam-se títulos diversos (descrevendo benfeitorias realizadas pelo comendador, obrigações do mesmo para com diversas igrejas e ornamentos religiosos existentes em igreja em Escarigo) e advertências aos comendadores a propósito da realização dos tombos. Seguem-se outros índices, um primeiro onde se assinalam as quantias pagas de dízimos, foros e rações pelos rendeiros nos vários ramos da comenda, com várias observações; outro respeitante aos foros que se acrescentaram em Escarigos no ano de 1708; e um último “dos prazos novos e das pessoas que pagam o foro e lugares em que moram”. O livro encerra com traslados de uma escritura de doação, de uma sentença cível contra os moradores de Escarigo e de uma escritura de compra e venda.