João Paulo Baptista

Chamo-me João Paulo Baptista e sou o autor e responsável pelo projeto Aldeia do Carvalho — Montanha de Memórias.

A minha ligação à Aldeia do Carvalho e à Serra da Estrela despertou em mim, desde cedo, um profundo interesse pela história das suas gentes, dos seus lugares e das transformações ocorridas neste território ao longo do tempo.

Em 2011, iniciei este projeto com o objetivo de reunir, preservar e divulgar documentos, fotografias, testemunhos, topónimos, tradições e outros elementos relacionados com a história da antiga freguesia paroquial e administrativa da Aldeia do Carvalho.

Desde então, tenho desenvolvido, de forma independente, um trabalho continuado de pesquisa em arquivos, registos paroquiais, cartografia antiga, imprensa, matrizes prediais, bibliografia e outras fontes históricas, procurando cruzar a informação documental com a memória transmitida pelas pessoas da terra.

Este espaço nasce da vontade de recuperar histórias que permaneciam dispersas ou esquecidas e de tornar esse conhecimento acessível a todos os que se interessam pela Aldeia do Carvalho, pela Covilhã e pela Serra da Estrela.

O projeto é desenvolvido com respeito pelas fontes consultadas e pelo contributo de todos os que, ao longo do tempo, têm estudado, registado e preservado a memória desta região.

Mais do que reunir documentos, pretendo ajudar a manter viva a memória da nossa terra.

Aguilhão e o autor
Foto Sónia Madaleno

Sou, na verdade, um geófago insaciável, necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição. Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal, e atiro-me às serranias como à broa da infância. É fisiológico, isto. Comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes e de montanhas, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal. Uma província ainda mais pobre do que as outras, que apenas produz uns magros e tristes versos…

Gerês, 17 de Agosto de 1958

Miguel Torga