Aldeia do Carvalho a florar dentre a verdura anegrada dos pinheiros, com sua topografia de presépio e seus pastores destemidos; a Borralheira, de casebres escuros a confundir-se com o dorso da serra, contrastando com a brancura álacre das casas novas do Bairro dos Penedos Altos; e lá para cima, já no vértice da montanha, Vila de Mouros, castro lusitano-romano; mais ao norte, o Picoto, talhado na rocha abrupta, a esconder a Penha Furada, que Gil Vicente, conhecedor raro destes atalhos e serranias, juntou nas estrofes do Auto Pastoril Português à Senhora da Estrela, que lá para baixo mora na sua capela pobrinha das margens do Zêzere.
Chegando à Penha Furada Àquem da virgem da Estrela Achei ser uma donzela…”